Domingo, Novembro 19

06:06

como assim?
posted by Upiara Boschi

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Terça-feira, Maio 30

06:24

Festa

Rejeitado e dando risada.
Uma, duas, três, quatro
ou muito mais latas de cerveja na cara.
Rejeitado e dando risada.
Caminhando torto, desviando de nada.
O sol nasce, a música acaba... e o cara
rejeitado e dando risada.
Quase tudo foi perdido:
o dinheiro, o amor-próprio,
o resto do equilíbrio.
Rejeitado e dando risada.
Em casa: um, dois, três passos e desaba.
Acorda. Boca seca e amarga...
Não tem mais graça.

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Sexta-feira, Dezembro 2

22:10

Consolação

Ele esperava o amigo no metrô Consolação há mais de vinte minutos. Não ajudava nada o fato de ter chegado vinte minutos antes da hora marcada, só aumentava a ansiedade. Todo final de semana aquela história de esperar alguém na catraca do metrô se repetia. Talvez fosse hora de inventar outros pontos de encontro. Mas era tão simples que ele acabava marcando ali, mesmo quando nem vinha de metrô. Perto dele uma menina também esperava. Ele se interessou porque era uma daquelas roqueirinhas moderninhas, no mesmo estilo que ele via no Atari ou no Dj Club. Não achava grande coisa no estilo, mas gostava de olhar. E ela era bonitinha também - além de fazer exatamente a mesma cara de "saco cheio de esperar" que ele também fazia desde que chegou à estação.

Aquela rotina de ouvir o metrô chegar e ficar olhando pra escada rolante estava ficando insuportável. Via a menina e ela também parecia impaciente. Pensou em ir falar com ela, puxar assunto. Aquela coincidência de esperar e a meia-dúzia de olhares trocados poderiam ter criado alguma espécie de intimidade. Seria fácil... três passos, um "oi". E depois? Ele não estava mais acostumado a conhecer gente, principalmente assim, sóbrio desse jeito. O que diria? "Oi... você sempre espera as pessoas aqui no metrô?". Cretino. Se cretinice pagasse imposto, ele teria problemas. Pelo menos era nisso que ele pensava e já tinha certeza de que não falaria nada para a menina. Estava até começando a olhar menos.

Olhou o relógio da estação. O amigo já estava quinze minutos atrasado. Maldito. Assim chegariam atrasados ao show. Olhou pra menina de novo e tentou disfarçar quando percebeu que ela também olhava. Pensou em escrever uma história sobre um casal que se conhecia no metrô, depois de uma hora esperando alguém que não apareceu. Talvez ficasse bacana. Mas ele não conseguia imaginar uma forma verossímil de começar um diálogo entre duas pessoas que não se conhecem e estão esperando alguém numa estação de metrô. Tudo parecia cretino ou óbvio demais. Aliás, se ele soubesse o que poderia ser dito, não guardaria pra escrever em casa. Foi quando olhou para ela mais uma vez e viu que ela estava vindo falar com ele.

- Você ta esperando sua namorada?

"Ela veio, ela falou, responde rápido."

- Não! Não... eu estou esperando um amigo. E você? Esperando namorado?
- Não... quer dizer... eu estou esperando minha namorada.

"Namorada? Ela é bem Atari mesmo. Eu devia ter imaginado. Seja natural, seja natural."

- Ah... bacana. Tá esperando há muito tempo?
- Quase uma hora. Tô começando a achar que ela não vem.
- Ah, vem sim. Eu tô esperando há uns 40 minutos... mas nem posso reclamar muito, cheguei 20 minutos antes.
- Pra onde vocês vão?
- A gente vai dar uma passadinha num lugar onde um amigo meu ta botando som e depois vai pra um show e você?
- Ah... num bar na Augusta. Tão esperando a gente lá.
- Legal...

A conversa continua. Falam de nomes, lugares, gostos, da chatice que é esperar no metrô. Só interrompem quando chega um trem e com ele a expectativa de que surjam as pessoas que esperam. Apesar de que agora ele torce para que ambos levem um bolo e possam terminar de se conhecer em outro lugar. Um lugar onde se possa sentar e beber, de preferência. Até que a menina interrompe a conversa pra dizer "e ela!". Vai até a catraca, abraça e beija a outra, falam alguma coisa. Volta.

- Foi um prazer.
- Foi sim.

Sorrisos, beijos no rosto, nenhum contato trocado. Elas vão embora de mãos dadas e ele continua a espera pelo amigo cretino atrasado. Mas pelo menos já sabia como começar o diálogo entre os dois personagens que se conhecem no metrô...

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Quarta-feira, Outubro 19

04:19

Na última madrugada o Bronson e.zine voltou a ser enviado para os leitores que o recebiam no ano passado. O Bronson era (e ainda é) o fanzine por e.mail com textos de Dilson Branco, Jeanne Callegari, Rafael Carvalho , Upiara Boschi e Vitor de Brites, com colaborações eventuais de Mário Coelho Jr. Quem recebia, pode conferir seu e.mail. Quem não conhece e quer conhecer, grita aí embaixo que eu cadastro. Quem conhecia e não quer nunca mais receber aquilo, faça a mesma coisa que eu excluo da lista e da minha vida (hahaha).
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Quinta-feira, Setembro 15

05:37

Um ano depois, Upiara Boschi volta à ficção com mais de dois parágrafos

Com aquela canção de Odair José na cabeça

Cansou da pista, cansou da noite. Desceu as escadas, foi ao caixa, pagou a conta e saiu. Não havia de quem se despedir. Já era dia, estava na rua Augusta e foi em direção à avenida Paulista. O mais sensato seria seguir em direção ao centro e pegar o metrô, mas não tinha sido nada sensato naquela noite. Bêbado como estava, nem percebeu que caminho pegou. Andou um tanto mais e foi chamado por um homem que estava do outro lado da rua. Estranhou e parou para ouvir o que o homem de camisa branca, jeito de garçom e que atravessava a rua queria lhe falar.

- Você não quer conhecer a nossa casa? - pergunta e já ajuda o rapaz a atravessar a rua, antes mesmo da resposta.
- Quanto é?
- Dez reais, você ganha uma cerveja e uma caipirinha.
- Aceita cartão de débito?
- Sim, claro.
- São só dez mesmo?
- Sim. Se quiser mais, lá dentro acerta direto com as meninas...

Ele entrega o cartão ao sujeito, que passa à mulher do caixa ("tira dez reais aí"). Digita a senha, guarda o cartão e entra no bar - que não é muito grande, mas é mais arrumado do que ele esperava. Se é que esperava alguma coisa. As duas "meninas" do balcão nem esperam que ele pegue a cerveja.

- Taí o príncipe que eu disse que ia chegar - diz a que tem maior iniciativa, já chegando junto e marcando posição.

Uma risada, um sorriso. Abre a lata, bebe um gole. A segunda menina desiste e deixa o rapaz para a primeira, que já o faz abraçá-la por trás. Ele confere e percebe que a primeira é melhor mesmo, não se importa, bebe outro gole enquanto verifica a marca de biquíni na bunda da mulher.

- Você vai querer ir pro quarto, benzinho?
- Depende... quanto é?
- Cem e mais vinte do quarto.
- Ah, não tenho tanto...
- Quanto você tem?
- Nem sei, pra dizer a verdade... uns noventa.
- Eu faço pra você.

Ela o acompanha até a porta, onde está a mulher do caixa. Ele entrega o cartão e a mulher diz:

- Tira noventa aí.
- Não deu - diz a caixa depois que ele digita a senha.
- Tenta oitenta - ela insiste.
- Não deu...
- Setenta!

Mais uma vez a mulher passa o cartão e o rapaz digita a senha. Ele gastou mais do que pensara, bebeu bem mais do que queria e estava a prestes a terminar a noite de um jeito que não imaginara. Se aquele cartão passasse, é claro.

- Passou ¿ disse a mulher do caixa, para alívio de todos.

*****

Vão para o quarto, ela na frente e ele abraçado atrás. Há uma escada e o rapaz teme ter dificuldades para subir, mas até que se sai bem. O quarto é escuro, feio, úmido, sem janelas ("pelo menos a cama é grande", pensa). Ela diz para ele tirar a roupa enquanto se despe e pega uma camisinha. O rapaz tira a camiseta, a calça, a carteira do bolso e confere o que ainda restou nela antes de deixar tudo numa mesinha.

- Você tinha mais dinheiro e tava escondendo de mim, né? - brinca a mulher.
- Antes fosse... só tenho o do metrô...

Deitam-se. Com a boca, ela lhe coloca a camisinha daquele modo que só uma profissional costuma fazer. O rapaz resolve começar da maneira tradicional e está surpreendentemente bem disposto para quem não parara de beber um instante sequer desde as dez horas da noite. Vão trocando posições, carícias, o tempo passa rápido.

- Goza logo, senão vão cobrar mais meia hora ¿ ela diz, mudando para uma posição que acredita ser mais funcional.

Recebido o alerta, ele faz o que pode, mas tudo continua do mesmo jeito. Ela insiste, muda de posição. Nada. Ela se levanta um pouco, como quem vai desistir ("eles vão querer cobrar mais meia"), ele a pega por trás e insiste. Alguns toques, ela diz "assim eu é que vou gozar" e ri. Em seguida se joga de costas na cama.

- Tá, eu vou gozar!

Ficam mais alguns poucos minutos naquela brincadeira. A puta goza e ele não. Ela se levanta e busca uma toalha para se enrolar, enquanto o rapaz pensa na ironia daquilo, ri e começa a achar que deveria pedir um abatimento.

- Se veste logo, eu vou ali avisar que terminou pra que não cobrem mais. Teu dinheiro acabou mesmo, né?

Nem responde. Está preocupado em descobrir onde está a meia direita e qual é o lado da frente da cueca.

****

Enquanto desciam as escadas - ele vestido, ela nua e enrolada numa toalha branca - lembrou sobre a cerveja e a caipirinha que lhe foram prometidas na entrada.

- Eu tenho direito a uma caipirinha ainda, né?
- Tem sim, eu pego pra você.

De toalha, ela atravessa o balcão e pede a caipirinha que parece ser feita com suco de limão em pó e vodka de garrafa plástica. Entrega pra ele e some de vez por uma porta ao lado da escada. O rapaz bebe um gole e confirma que a bebida é realmente péssima. Olha pro balcão e vê somente um garçom e a outra mulher, aquela que ele não quis. Para completar o cenário, tocam músicas do Reginaldo Rossi, na versão ao vivo de um sertanejo qualquer. Sorri, acha que é perfeito e senta na ponta de um dos sofás para beber a caipirinha e cantar baixinho:

- "Porque você é o meu pedaço de mau caminho, a medida certa para o meu carinho, a coisa mais linda que eu já conheci...".

Sorri, bebe mais. Está contente. Gastou o que podia e duas vezes mais o que não podia. Mas se divertiu um bocado. O garçom vem perguntar se ele quer mais alguma coisa e a resposta enfática ("não! eu já fiz tudo que deveria fazer") é acompanhada por uma gargalhada. O garçom se afasta e ele segue cantando baixinho.

- "Nesse corpo meigo e tão pequeno há uma espécie de veneno bem gostoso de provar. Como pode haver tanto desejo, nos seus olhos, nos seus beijos, no seu jeito de abraçar...".

Percebe que a outra mulher está vindo até ele. É realmente bem pior, mais velha, com cara de nordestina sofrida de documentário. Bebe mais um gole, ela chega, pára em frente a ele e pergunta com o sotaque óbvio:

- Você tá apaixonado?
- Não - e ri - eu não me apaixono muito fácil, não...
- Ah, é que você tava cantando aí sozinho...
- Eu ia embora, mas tava tocando umas músicas que eu gosto...
- Ah, eu também adoro...
- E tenho que beber essa caipirinha horrível também.
- É horrível mesmo, não bebe esse troço, não.

Os dois riem. Ela é mais feia, mas é simpática. Devia ter certeza que dali não sairia outro programa. Continua de pé na frente do rapaz.

- Você me paga uma cerveja? É que eu to morrendo de sede...
- Beibe, eu até pagava. Juro. Mas eu só tenho o do metrô.
- Ah... não tem importância. Sabe, eu vim do nordeste faz um tempo...
- Peraí... senta aqui do meu lado para contar essa história - diz, indicando o enorme espaço vago no sofá. Ela senta e continua.
- ... e lá tinha um cara que gostava muito de mim. Gostava mesmo. Mas eu fazia gato e sapato dele...
- Coitado...
- ... pois é... e quando eu fui embora, ele queria de todo jeito que eu ficasse... mas eu disse que vinha. Aí ele disse que um dia alguém ia fazer comigo o que eu tava fazendo com ele.
- Poxa, rogou uma praga!
- É... e eu acho que pegou, porque tá acontecendo igualzinho agora.
- Você está com um cara que faz gato e sapato de você?
- É... eu acho que tô pagando...
- Não, não... não pensa assim não. Toda hora tem alguém fazendo gato e sapato de alguém. Uma hora a gente faz, uma hora fazem com a gente. Mas não tem nada a ver com o outro cara, não. Olha eu... tenho certeza absoluta de que enterraram uma caveira de burro no meu jardim. Mas logo isso passa e não é culpa de ninguém.

Os dois garhalharam daquela filosofia eloqüente de bêbado. Ele bebeu mais um gole. Olhou pro lado e viu um homem chegar no balcão do bar. Ela disse:

- Olha... semana que vem vai ter um show de strip aqui. A mulher daquele cartaz ali. Vem, nem que seja só pra ver o show...
- Mas é claro que eu venho! - disse, com certeza de que não viria.
- Agora eu preciso ir...
- Eu sei... vai lá!

Beijos estralados, sorrisos. Ela foi abordar o sujeito, ele largou o copo pela metade em cima da mesa. Era intragável. Levantou-se e saiu da boate. Na porta, o homem que o interceptou no início da história pergunta se ele ficara satisfeito com o serviço. Respondeu que sim de forma efusiva e foi embora. Estava de novo na rua Augusta e foi andando em direção à avenida Paulista. O mais sensato seria seguir em direção ao centro e pegar o metrô, mas ele não tinha sido nada sensato naquela noite.

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Segunda-feira, Agosto 22

01:55

Olhou pro lado, a garota dormia. Não estava com sono, tinha um pouco de fome, resolveu levantar. Com todo cuidado, é claro. Antes de fechar a porta, deu uma última olhada. Ela continuava dormindo, linda. Sorriu e foi até a sala. Ligou a TV e começou a ver um filme baseado em O médico e o monstro. No intervalo, foi a cozinha e achou algo para comer.

Via filme sem prestar muita atenção. Pensava na menina que dormia no quarto. Pegou no colo a gatinha branca e sem nome que estava deitava no colchão no chão da sala e perguntou:
- Que eu faço agora, linda?
A gata respondeu, é claro. Mas ele nunca entendia o que ela queria dizer.

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Quinta-feira, Agosto 4

16:17

Uma noite branca

- Me dá um beijo
- Beijo não se pede
- Eu peço...
- E eu dou... mas você tem que me prometer uma coisa.
- O quê?
- Que você não vai se apaixonar por mim.

Surpreso, ele não disse nada. Continuou olhando para a menina que dançava com ele há três músicas, que ria das graças que fazia, que olhava com olhos que prometiam.

- Tá bom pra você?
- Tá ótimo, aceito.

Beijaram-se. Não era a primeira vez que ele prometia algo que não poderia cumprir.

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Quinta-feira, Junho 23

02:33

A releitura de Alta Fidelidade inspira várias listinhas na cabeça. Quem sabe um Top 5 coisas mais importantes que me aconteceram?

1 - Entrar no Curso de Jornalismo da UFSC em 1999 (1999)
2 - Ir morar sozinho em São Paulo (2004)
3 - Roberta (2005)
4 - Passar no Curso Estado (2004)
5 - Por engano, virar um dos editores do Unaberta (2000)

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Quarta-feira, Junho 22

01:34

noite no matrix

beija como quem bebe um gole da cerveja
como quem fuma o cigarro do amigo
é parte da festa, parte da noite
o dj toca take me out
na pista, aquela menina
olha como quem aceita, deseja...
um beijo, um cigarro, uma Heineken
are you gonna be my girl?
sim, com prazo definido, limitado
o telefone que nunca vai ser chamado
escrito em letras tortas no flyer
ou num pedaço de comanda...
last nite, ela não disse
os dois já sabiam.

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Domingo, Junho 19

00:15

Quando eu achava que "Encouraçado Botekim" era o melhor nome de bar da história, meu tio me contou que no tempo dele existia um bem famoso que se chamava "Johann Sebastian Bar".

Alguém conhece bares com nomes melhores?

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Segunda-feira, Junho 6

01:23

Nessa infatigável busca pelo significado do meu nome, apelei para o dicionário de ruas da cidade de São Paulo. É tanto nome estranho e indígena junto, que deve ter uma ruazinha Upiara em algum lugar - nem que seja num desses bairros com nome de escola de samba. Digitei meu nome na pesquisa e junto com os resultados veio a decepção:

- Rua Cupiara
- Rua Grupiara
- Rua Igupiara
- Rua Rupiara
- Rua Urupiara

Decepcionado, mas sem ter o que fazer resolvi clicar em alguma das opções e escolhi a rua Rupiara. Sem querer, mais uma resposta para minhas dúvidas:

"Termo Tupi que significa: o mesmo que upiara, no genitivo de possessão; o ovo o germe; a procedência descendência, a raça."

Ao ler isso, duas coisas me vieram à cabeça. Que o dicionário de ruas da cidade de São Paulo confirma o que dizia o velho dicionário de nomes indígenas que mamãe consultou em 1982. E que eu não preciso mais ficar tão bravo quando escreverem Rupiara nas minhas comandas...

(Dicionário de ruas da cidade de São Paulo: www.dicionarioderuas.com.br)

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Sábado, Junho 4

16:52

Diálogo em sonho de junho

Se na primeira vez tudo ficara num flerte, na segunda o desejo foi concretizado. Embaixo das cobertas, ela interrompe um beijo, se afasta um pouco dele.

- Você não acha que a gente vai casar agora, né?
- Claro que vamos casar. Aquele mágico que fez o truque das cartas quando estávamos na rua vai ser o padre. O garçom e a garçonete do bar da esquina vão ser os padrinhos...
- Hahahahaha, aceito!

Ela aceita, me beija e eu acordo...

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Quinta-feira, Maio 5

15:32

Festa cheia, o rapaz bebe uma cerveja lonk neck com cara de indiferente. Assim consegue chamar a atenção de uma das moças por perto, que pergunta de um jeito meigo:

- Por que tu tá tão quieto?
- Eu sou quieto - responde o rapaz, se fazendo de antipático.
- Nem sempre, você tem dois lados...
- Eu tenho mil lados, mas são todos muito parecidos.

Ele começou a pensar no que acabara de dizer. "Grande frase, eu sou o cara". Ela não disse mais nada. Sorriu e começou a conversar com outra pessoa.

posted by Upiara Boschi

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Domingo, Abril 10

06:20

Sou foda ou não sou?

CLASSIFICADOS O DIA ONLINE
B. RIBEIRO R$ 320,00 Aluga casa 1 quarto, dependências completas, direto com proprietária, Rua Upiara 175, Bento Ribeiro.

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Terça-feira, Março 15

05:52

No final ano passado, a Paula e a Juju me encomendaram uma resenha do cd da Laranja Freak para o grande projeto delas - a revista Polifönica. Eu fiz com o maior prazer (apesar de demorar tanto pra entregar). Pena que era pra ser tão pequenininha...

Laranja Freak
Brasas Lisérgicas

Baratos & Afins

A Jovem Guarda radiotiva

Se para você rock gaúcho não é mera questão geográfica, é bem fácil classificar Brasas Lisérgicas, o cd de estréia da Laranja Freak. Está tudo ali. A Jovem Guarda revisitada de Frank Jorge, as experiências de Júpiter Maçã, a canalhice a la Cascavelletes, etc. Com um porém: a Laranja Freak parece mais original do que a maioria de seus conterrâneos recentes. A impressão é que o exagero na mistura de todos aqueles elementos não impede - pelo contrário - que o disco soe irresistivelmente pop e radiofônico (se esse fosse o critério para tocar em FMs). Ah, você é acha que não existe um rock gaúcho? Bom, pra química rolar e fluir um
sentimento, você vai ter quer deixar eles te conhecerem por dentro.
Preste atenção: na estranhíssima e deliciosa Gnomos Vermelhos.

posted by Upiara Boschi

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